1. SEES 19.9.12

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  LULA ERA O CHEFE
3. ENTREVISTA  ALDO RABELO  NOSSA SELEO EST VULGARIZADA
4. CLAUDIO DE MOURA CASTRO  O CAMINHO DA SUSTENTABILIDADE
5. MALSON DA NBREGA  O ICMS NO TEM SALVAO
6. LEITOR
7. BLOGOSFERA
8. EINTEIN SADE  PACIENTE ANTES MESMO DO NASCIMENTO

1. VEJA.COM
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

A AMEAA DA CIBERGUERRA
O russo Yevgeny Kaspersky, de 47 anos,  um dos maiores especialistas no combate aos vrus e outras ameaas  internet. Ele fundou e comanda a Kaspersky Lab, a empresa que mais cresce entre as grandes do segmento de softwares de segurana. Em entrevista ao site de VEJA, Kaspersky diz que existe uma ciberguerra em curso e que organizaes terroristas podem estar a um passo
de tecnologias capazes de paralisar naes. Ele tambm ensina algumas medidas que julga ser indispensveis para um usurio comum da internet manter-se protegido. No entanto, admite: Sou paranoico e no acredito em nada 100% seguro neste mundo.

TERAPIA GNICA CHEGA AOS CONSULTRIOS
A terapia gnica deixa os laboratrios e comea a fazer parte do arsenal dirio de tratamentos  disposio da medicina. Esse tipo de terapia consiste no uso de vrus que conseguem entrar no ncleo das clulas e alterar seus genes para que eles voltem a funcionar como deveriam. Por isso, a maior parte das terapias gnicas em estudo  indicada para pacientes de doenas genticas raras. Reportagem do site de VEJA vai mostrar para quais doenas j existem alternativas e quais esto na mira dos cientistas.

AFINANDO O AUTO-TUNE
Nesta semana, a cantora Demi Lovato foi espinafrada por um participante do reality show musical The X Factor, do qual  jurada. Depois de receber crticas pesadas do jri, ele descarregou a sua ira na ex-estrela da Disney, de quem ouviu que o sonho de cantar, infelizmente, no  para todos. Sim,  por isso que voc usa Auto-Tune, o candidato rebateu. Comum nos estdios de produo, o Auto-Tune permite tornar afinada qualquer cantoria. Mas no  s para isso que ele serve. Reportagem de VEJA explica como o programa funciona, ajuda a identificar o seu uso nas msicas e mostra como o Auto-Tune pode ser um aliado da criatividade  e no do estelionato musical.

O SUCESSO DO KINDLE
Com o recente lanamento do Kindle Fire HD, com dimenses similares s do iPad, a Amazon apresentou de fato uma alternativa ao tablet da Apple. E a estratgia da varejista americana para avanar nesse mercado  diversa. Enquanto a Apple lucra com a venda de cada unidade de iPad, a Amazon se apoia em uma oferta casada: dispositivos mais baratos com imensa variedade de contedos. Queremos ganhar dinheiro quando as pessoas usam nossos aparelhos, no quando elas os compram, disse Jeff Bezos, CEO da Amazon, ao lanar o novo tablet  que deve chegar ao Brasil nos prximos meses.


2. CARTA AO LEITOR  LULA ERA O CHEFE
     Seis semanas depois de iniciado o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o escndalo do mensalo, que Lula e o PT tentaram dissimular como sendo uma farsa da oposio ou inveno da imprensa golpista, mostrou-se de uma realidade absoluta e incontestvel. As primeiras condenaes  priso j foram lavradas pelos ministros do tribunal e outras ainda viro at o veredicto final, o que deve ocorrer em meados de novembro. O Brasil e os brasileiros, portanto, j ganharam o ano com a demonstrao de maturidade e independncia da Justia e com a certeza de que a nao conta com uma imprensa livre, corajosa e obcecada pela busca da verdade, cujo trabalho desencavou o escndalo e o manteve vivo com constantes revelaes at que os culpados fossem confrontados com seu destino perante o tribunal.
     VEJA se orgulha de ter desempenhado um papel fundamental em mais esse processo de depurao da vida poltica nacional. Foram os reprteres da revista que captaram os primeiros sinais da doena que tomava conta de Braslia ao publicarem o vdeo em que um diretor dos Correios embolsava uma propina em dinheiro vivo. A partir da, VEJA foi puxando o fio da meada at constatar que, ao que tudo indicava, a podrido havia subido a rampa do Palcio do Planalto e se instalado nas imediaes e at no prprio gabinete presidencial. Em sua edio de 13 de julho de 2005, VEJA colocou na capa os resultados de uma pesquisa nacional de opinio pblica dando conta de que para 45% dos entrevistados o ento presidente Lula nada sabia do mensalo, enquanto para 39% ele sabia mas no se envolvera diretamente na operao e para 16% Lula sabia e tivera participao direta nas malfeitorias. Depois, a revista revelou que em pelo menos cinco situaes Lula fora alertado sobre o que se passava a sua volta. Em outra reportagem de capa, VEJA trouxe a primeira forte evidncia de que os 16% ouvidos na pesquisa estavam certos: Lula sabia e se envolvera. Os reprteres da revista informavam que o piv financeiro do escndalo, o publicitrio mineiro Marcos Valrio, estava a ponto de procurar a Justia e contar tudo sobre o envolvimento de Lula em troca do alvio da pena pelo mecanismo da delao premiada. Vocs vo se ferrar. Avisa ao barbudo que tenho bala contra ele, disse Valrio a Joo Paulo Cunha, ex-presidente da Cmara dos Deputados e hoje ru j condenado no processo do mensalo pelo STF. VEJA relatou a bem-sucedida operao do PT para acalmar Valrio, oferecendo-lhe proteo.
     Uma reportagem exclusiva desta edio do editor Rodrigo Rangel, da sucursal de Braslia, feita com base em revelaes de Marcos Valrio a parentes, amigos e associados, reabre de forma incontornvel a questo da participao do ex-presidente no mensalo. Lula era o chefe, vem repetindo Valrio com mais frequncia e amargura agora que j foi condenado pelo STF, podendo, no fim do julgamento, ver sua pena chegar a mais de 100 anos de recluso. Valrio no quis dar entrevista sobre as acusaes diretas do envolvimento de Lula que ele vem fazendo. Mas no desmentiu nada.


3. ENTREVISTA  ALDO RABELO  NOSSA SELEO EST VULGARIZADA
O ministro do Esporte critica o excesso de jogos do escrete brasileiro, no teme problemas na Copa e promete atrelar patrocnios oficiais a melhor desempenho de atletas e cartolas.
OTVIO CABRAL

Aldo Rebelo  um poltico acostumado a misses delicadas. Entrou no ministrio de Lula para conter a crise causada pelo primeiro escndalo envolvendo Jos Dirceu, o caso Waldomiro Diniz. Presidiu a Cmara dos Deputados depois da renncia de Severino Cavalcanti. Comunista histrico, foi escalado para relatar o Cdigo Florestal, quando deu um exemplo de bom-senso que desagradou aos companheiros de esquerda. H dez meses, assumiu o Ministrio do Esporte, que coordenar a organizao da Copa do Mundo e da Olimpada. Apesar do potencial de problemas dos eventos, Aldo avalia que o atual planejamento evitar grandes falhas. Aos 56 anos, ele s perde um pouco o otimismo ao falar de dirigentes da seleo de futebol e do desempenho do Brasil em Londres.

A seleo brasileira fez dois jogos no Brasil que no encheram os estdios e no
agradaram  torcida. H um processo de elitizao do futebol? A seleo no atrai mais o torcedor? 
H um evidente processo de elitizao, o que pode ser prejudicial ao futebol, que  uma instituio que nasceu no Brasil  margem do mercado e do estado. E uma instituio essencialmente popular, que deu aos pobres seus grandes dolos, como Friedenreich, Fausto Maravilha Negra, Lenidas da Silva, Domingos da Guia, Pel, Neymar... Quando o mercado se apropria dessa instituio, o torcedor deixa de se comportar como um apaixonado pelo esporte e passa a ser um consumidor do produto. Isso  legtimo, mas traz um risco ao prprio negcio. Se o produto no for de boa qualidade ou for banalizado, o pblico se desencantar. A seleo brasileira est exposta a jogos que tm apnas interesse comercial, com adversrios fracos como frica do Sul e China. A convocao da seleo era um evento que parava o pas. Hoje, alcanou um grau de vulgaridade que no impressiona mais a ningum. Os dirigentes precisam levar isso em conta em benefcio do prprio futebol. A seleo brasileira est vulgarizada e banalizada. Isso  um problema a dois anos da Copa do Mundo no Brasil.

A seleo deixou de interessar ao pblico? 
Sem dvida. Hoje, o torcedor d muito mais valor a seu clube do que  seleo. E, muitas vezes, vai ao estdio para vaiar na seleo o atleta do adversrio, como aconteceu com o Neymar no amistoso contra a frica do Sul. O pblico est praticamente desprezando a seleo. A culpa no  do torcedor, mas do espetculo que ele recebe.

H um risco de esse desprezo  seleo chegar ao pice se o Brasil tiver um mau desempenho em 2014? 
A Copa costuma reconstituir o esprito do torcedor de seleo.  um momento em que, apesar das decepes, a torcida trata bem os jogadores. Ainda mais em casa.

O torcedor comum conseguir ver o Brasil nos estdios ou o preo dos ingressos ser um impeditivo? 
Pela forma como  organizada, a Copa j  um evento restrito. A maioria da populao no vai passar nem perto dos estdios, pois o Brasil ter de garantir ingressos para torcedores do mundo inteiro. No d para fazer uma Copa do Mundo com outros 31 pases e reservar entradas apenas para os brasileiros. A Copa  um torneio ao qual o torcedor comum praticamente no tem acesso. Conseguir um ingresso  quase como ganhar na loteria.

Um fracasso dentro de campo  um risco concreto. E, fora dos campos, o que mais preocupa o governo hoje? 
A Copa e a Olimpada no tm muito mistrio nem segredo. Exigem apenas muito trabalho. O governo est controlando tudo de perto, j visitei pelo menos trs vezes cada cidade-sede. As obras esto dentro do prazo, mas no se pode descuidar. Por isso, o Brasil fez um acordo com as duas cidades que organizaram os Jogos Olmpicos anteriores  Pequim e Londres  para no deixar que erros sejam repetidos, principalmente em transporte, telecomunicaes e segurana.

H o risco de algum estdio no ficar pronto a tempo para a Copa das Confederaes? 
O limite  novembro, quando os estdios precisam estar preparados para o sorteio das chaves da Copa das Confederaes, que comea em junho de 2013. Logo depois do sorteio, inicia-se a venda de ingressos e de espaos publicitrios. O governo espera que todos estejam prontos, mas os que no estiverem ficaro de fora, no h segunda chance. O mais atrasado hoje  o de Recife,  o que mais preocupa.

A violncia da torcida  uma preocupao? 
A violncia  um problema que foi muito reduzido dentro dos estdios e que hoje ocorre mais longe dos campos. Para que se reduza ainda mais o risco, os ministrios do Esporte e da Justia faro um acordo para colocar cmeras nos estdios, banir os torcedores violentos e acompanhar permanentemente as torcidas que usam a internet para marcar brigas. O combate a esses grupos no pode se restringir aos estdios.  preciso acabar com a impunidade para garantir ao torcedor comum o direito de acompanhar o futebol em paz.

Como o senhor qualifica o desempenho do Brasil na Olimpada de Londres? Foi pior do que a previso do governo? 
Era previsvel que o Brasil tivesse um desempenho melhor do que a mdia das ltimas Olimpadas porque os investimentos foram ampliados. O Comit Olmpico Brasileiro previa quinze medalhas e o governo achava que dava para chegar a vinte, mas ficamos em dezessete. Melhoramos em esportes individuais, como jud e boxe, e decepcionamos mais uma vez no futebol, em uma prova de que no h relao direta entre a prtica em larga escala e a conquista da medalha de ouro. Mas  fato que teremos de melhorar muito para 2016, porque existe uma responsabilidade como pas-sede e precisamos de um desempenho compatvel com essa expectativa.

O Plano Brasil Medalha, que prev investimento extra de 970 milhes de reais nos esportes olmpicos, no chegou muito tarde? 
 claro que se ns tivssemos cuidado disso quatro anos antes poderamos ter uma perspectiva melhor, mas ainda  possvel aprimorar nosso desempenho em relao a Londres. H um atraso histrico do esporte no Brasil que no pode ser revertido em quatro anos. Ainda existem mais de 10.000 escolas que nem gua ou luz tm, ento no  possvel imaginar ter equipamentos esportivos decentes.

No ltimo ciclo olmpico, o governo gastou 2 bilhes de reais. O resultado foram apenas dezessete medalhas. No  necessrio melhorar o critrio de investimento em atletas para obter resultados superiores? 
O critrio tem de ser o da meritocracia. Os atletas contemplados com apoio estatal tinham um desempenho compatvel com o investimento nas competies preparatrias, antes de a Olimpada comear. Mas nem todos conseguiram fazer o sucesso esperado em Londres. O nosso critrio continuar sendo o do mrito. Quem teve bom desempenho receber mais recursos pblicos do que aqueles que decepcionaram.

Os dirigentes tm culpa desse fraco desempenho? 
H necessidade de mudanas urgentes na estrutura das confederaes. Democratizao e profissionalismo so as palavras-chave.  preciso limitar o tempo de mandato dos dirigentes a trs ou quatro anos, com direito a apenas uma reeleio. Esse modelo fora o dirigente a perseguir bons resultados, porque, no dispondo da entidade a vida inteira, ele tem de ser vencedor em um prazo curto. Sem bons resultados, a eleio seguinte fica em risco.

De que instrumentos o governo dispe para garantir que os dirigentes no se perpetuem no poder? 
O governo quer condicionar os benefcios pblicos para as confederaes ao cumprimento de critrios de transparncia, modernizao e democracia. Vamos criar um ndice nacional que valorizar as entidades que modernizarem sua gesto. Estas sero beneficiadas por patrocnio de estatais, isenes fiscais e transferncia direta de recursos. As que no cumprirem as metas no tero o apoio do governo.

Ricardo Teixeira renunciou  presidncia da CBF, mas foi contratado como consultor da Copa. Jos Maria Mann, que sucedeu a ele, acumula salrios como presidente da CBF e do comit organizador da Copa. A gesto do futebol ps-Teixeira avanou? 
A CBF sempre resistiu a receber dinheiro pblico porque isso levaria a uma fiscalizao dos rgos do estado. Sem dinheiro pblico, no h como fiscalizar, o que faz da entidade uma caixa-preta. Mas essa situao no tem mais como perdurar. A CBF tambm precisar adotar uma gesto mais democrtica e transparente.

A venda de bebidas ser mesmo liberada nos Jogos? 
A legislao vai autorizar a venda de cerveja. No h por que no vender. No tem sentido fazer um evento desses sem cerveja nos estdios. Diz o Mario Filho, em seu livro O Negro no Futebol Brasileiro, que os ingleses que vieram trabalhar na fbrica de tecidos de Bangu e foram construir o estdio de Moa Bonita comearam a obra pelo bar. A partir do bar fizeram o estdio.  uma relao histrica no esporte, tanto aqui como no exterior. Voc vai  Europa e aos Estados Unidos e h um consumo controlado  a polcia britnica prendia quem estava bbado e incomodando. Ento o Brasil tomou uma deciso equilibrada.

O Tribunal de Contas da Unio aponta uma srie de suspeitas sobre as obras da Copa. O que  possvel fazer para que Copa e Olimpada no se tornem um festival de desvio de dinheiro pblico? 
Onde h recursos da Unio o controle  rigoroso, envolvendo ministrios, a Controladoria-Geral da Unio e os tribunais de contas. At agora, cada centavo em recurso pblico tem sido rigorosamente controlado. Onde houver desvio no haver mais verbas da Unio at que o problema seja resolvido. Esse controle no pode ser afrouxado.

Quando se pensa no legado permanente que ficar para o Brasil, ter valido a pena sediar as duas competies? 
Todo estudo de consultoria privada, como a Fundao Getulio Vargas e a Ernst & Young, afirma que os dois eventos vo gerar 3,6 milhes de empregos e o acrscimo ao PIB ser de 0,4% ao ano at 2019. Haver ampliao dos investimentos pblicos e, principalmente, dos privados. Ainda temos a estimativa de aumento da arrecadao tributria, a modernizao de equipamentos e a revitalizao de setores essenciais da economia. A participao do esporte no PIB brasileiro vai crescer. As construtoras brasileiras vo adquirir tecnologia que poder ser aproveitada no setor pblico e no privado. A qualidade dos servios na rea de telecomunicaes vai melhorar muito. Ser tambm uma oportunidade de o Brasil aprimorar o que j faz com eficincia e superar as deficincias histricas. Esses eventos impem ao pas a superao. Ento o Brasil deve olh-los com otimismo.

O senhor foi o relator do Cdigo Florestal na Cmara, quando desagradou  esquerda ao defender os produtores rurais. A mesma esquerda reclama agora do projeto de privatizaes do governo. A ideologia ainda  um obstculo ao crescimento do Brasil? 
Tenho muito orgulho do meu trabalho no Cdigo Florestal. Tudo o que fiz foi pelo interesse do pas. Se eu, como deputado e como brasileiro, no defendesse os interesses da pequena, da mdia e da grande agricultura do meu pas, no me sentiria bem. Produzir alimentos  um dever essencial para o interesse pblico, principalmente dos pobres, que precisam de comida em grande quantidade, acessvel e a baixo custo. O Brasil tambm precisa do campo para equilibrar as contas externas, que tm se mantido no azul graas ao dinamismo da agricultura. O que eu fiz  o que todos os pases fizeram. A antiga Unio Sovitica defendeu sua agricultura, a Frana defende sua agricultura, os Estados Unidos defendem sua agricultura e eu defendi nossa agricultura. Temos de equilibrar a preservao do meio ambiente com a produo agrcola. Foi o que procurei fazer. Nem todos compreenderam. H gente que s v um lado da questo.  da mesma natureza a crtica ao pacote de privatizao da presidente Dilma. Esses crticos no enxergam que a presidente objetiva arrancar os obstculos ao crescimento do pas.


4. CLAUDIO DE MOURA CASTRO  O CAMINHO DA SUSTENTABILIDADE
     Nenhum cidado responsvel pode deixar de estar preocupado com os estragos que sofre o meio ambiente. Por isso, seja no governo, seja fora dele, muitos tomam iniciativas para mitigar os desastres. Os governantes passam leis com f ingnua nos seus efeitos. Almas generosas e bem-intencionadas pregam a defesa do meio ambiente. Economistas s pensam em prmios e punies financeiras. Olhando os resultados,  um no cravo e outro na ferradura. O pobre caboclo, perdido na Floresta Amaznica, est longe da lei que impediria suas aventuras com a motosserra. E, se estivesse ao alcance de pregaes, no veria razes para segui-las. O mal-educado que joga lixo na rua sabe que no ser punido, pois, se algum viu, no vai denunciar. No h altrusmo que convena os prefeitos a no jogar esgotos in natura nos rios, pois o tratamento  caro, no d votos e os malefcios s prejudicam o municpio rio abaixo. No funcionam as leis que carecem de poder para obrigar o seu cumprimento. Quem confia na impunidade no presta ateno. Em muitos casos a lei probe fazer, mas  frgil para obrigar a fazer. Pouco serve para mandar fazer o bem ou ajudar o prximo. Pregar a conservao do meio ambiente, quando pesa no bolso faz-lo? Ou d trabalho? Sermes entram por um ouvido e saem pelo outro.
     Temos trs ferramentas: a lei, os incentivos econmicos e os valores. Individualmente, funcionam em alguns casos e falham em outros. No fundo, a boa receita requer inveno e inteligncia para combinar o seu uso. Em conjunto, seu poder de fogo  amplamente maior.  a tal da sinergia. Proibir bolsinhas plsticas em Belo Horizonte teria sido mais uma lei que no cola. Mas colou, porque foi precedida de um movimento popular que mostrou os seus inconvenientes ecolgicos. Para o prefeito,  mais conveniente empurrar com a barriga a construo da planta de tratamento de esgotos. Mas, se a sociedade comeasse a entender os danos  sade e se houvesse urna lei (estadual ou federal) cobrando pelo volume de efluentes prejudiciais lanados nos rios. rapidinho. a construo seria feita. Vem dando certo a prtica de oferecer ao caboclo uma mesada para manter as rvores em p. O manejo tambm pode proteger as florestas, ao gerar madeiras certificadas, que so mais caras. Se aparece um extrativismo lucrativo e que no prejudica o meio ambiente, criam-se boas razes para deixar guardada a motosserra.  ingnuo querer que as pessoas comprem um carro eltrico, mais caro e menos prtico.  esperar demais do fervor ecolgico. Mas, se h menos impostos para ligar o carro na tornada e no na bomba de gasolina, a  diferente. De fato, foi o que aconteceu com o etanol.
     Do dia para a noite, a gerao fotovoltaica em residncias e pequenas empresas tornou-se vivel. Bastou uma lei que obrigasse as companhias eltricas a comprar o excesso de produo. De dia, vende-se para a rede. De noite, compra-se dela. Como os impostos sobre eletricidade so muito altos, igualam-se os preos da rede aos da gerao local com clulas fotovoltaicas, ainda caras. Apelos para que se use menos gua tm pouco impacto, seja em nossas chuveiradas, seja na agricultura irrigada. Mas, se combinados com leis que estabeleam preos para a gua, bem como cotas de uso, podem ter um impacto fulminante. No encontramos receitas para coibir as queimadas. Mas  porque temos memria curta. No sculo XVII, as Ordenaes Filipinas prescreviam que onde a mata foi queimada no se podia caar, retirar carvo nem manter gado. Vejam a genialidade: no  possvel impedir os incndios, pois basta um fsforo quando ningum olha. Mas os benefcios desfrutveis da mata queimada podem ser fiscalizados. Ou seja, como no se pode impedir o ato, retiram-se as motivaes. A receita inteligente est no trip virtuoso: o convencimento, as aes que mexem no bolso e as boas leis. Em muitos casos, as que criam incentivos tendem a ser mais eficazes do que as proibies, mais difceis de fiscalizar. O que cada um desses instrumentos isolados no pode fazer torna-se possvel com uma combinao imaginativa e robusta dos trs.
CLAUDIO DE MOURA CASTRO  economista


5. MALSON DA NBREGA  O ICMS NO TEM SALVAO
     O irracional sistema tributrio brasileiro, enorme fonte de ineficincias, tem no ICMS seu componente mais confuso e relevante (21% do total). S no Brasil um imposto to importante est nas mos de governos subnacionais, sem mecanismos que o harmonizem nacionalmente.
     Na Unio Europeia h um tributo semelhante (o Imposto sobre o Valor Agregado  IVA) arrecadado por seus 27 membros, o mesmo nmero de estados do Brasil. L, diferentemente do que ocorre aqui, no existe autonomia para alterar as regras bsicas e as alquotas do IVA. H razovel harmonizao.
     O Brasil foi um dos pioneiros na adoo do mtodo do valor agregado (1965), pelo qual se tributa, em cada etapa da produo e da comercializao, apenas o valor que nela se adiciona. Antes de a Frana inventar o mtodo, nos anos 1950, tributava-se o valor bruto a cada vez. O imposto incidia sobre ele mesmo (cascata). As empresas buscavam produzir o mximo nelas prprias para fugir da cascata, gerando ineficincias. Hoje, mais de 130 pases adotam o mtodo, o que atesta sua qualidade.
     Por razes histricas, o Brasil fracionou a tributao do consumo em trs impostos, sendo dois sobre o valor agregado  o IPI federal e o ICM estadual (depois ICMS)  e um em cascata, o ISS municipal. At 1988, havia certa harmonizao no ICM, mas demandas de autonomia estadual lanariam as bases do caos que viria a imperar no ICMS. A Constituio atribuiu aos estados o poder de alterar suas regras e alquotas. Depois, a substituio tributria (arrecadao do ICMS na origem), imaginada para casos limitadssimos, se espalhou por uma gama incrvel de bens. O ICMS virou baguna.
     O cipoal de normas  incompreensvel. Em agosto, segundo a Folha de S.Paulo (27/8/2012), as regras do ICMS mudaram em mdia vinte vezes por dia em todo o pas. A substituio tributria desarruma o Simples Nacional, criado para salvar as pequenas e mdias empresas do manicmio tributrio. Os incentivos do ICMS s importaes (a guerra dos portos) foram extintos, mas Alagoas os reinventou. As empresas que importarem por l podero pagar o ICMS com precatrios (obrigaes estaduais vencidas e negociadas com forte desconto).
     O caos diminuiria se a legislao do ICMS fosse unificada, a arrecadao ocorresse no destino da mercadoria e se proibisse a guerra fiscal. A experincia mostra, todavia, que (1)  muito difcil aprovar essas mudanas e (2) os estados burlam as regras, seguros da ausncia de sanes por ilegalidades. A situao tende, pois, a se agravar. A ideia do governo de uniformizar em 4% a alquota interestadual inibiria a guerra fiscal, mas manteria o manicmio.
     A soluo radical  substituir os tributos sobre o consumo por um IVA nacional, arrecadado pela Unio e distribudo automaticamente entre trs esferas de governo. Seria ainda mais difcil, mas constituiria um passo definitivo contra a baguna. Existem duas objees  ideia: (1) estados e municpios ficariam  merc da Unio, que comandaria politicamente a distribuio dos recursos; (2) a medida, centralizadora, atentaria contra a autonomia estadual e o federalismo, este forjado em crises e revolues. Quanto  primeira, a Unio arrecada tributos partilhveis com governos subnacionais h cerca de sessenta anos. Nunca se apropriou indevidamente dos recursos. Quanto  segunda, federaes de origens histricas mais fortes que a brasileira adotam o IVA partilhado com governos subnacionais.
      o caso da Alemanha. Os antigos principados, depois estados, passaram a centralizar a tributao depois da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648). Independentes do papa e do imperador, os prncipes gozavam de autonomia em seus territrios. Em 1871, a unificao dos principados deu origem  federao. Apesar do histrico de autonomia estadual, a Alemanha adotou o IVA em 1968, com regras que beneficiam as regies menos desenvolvidas. A rica experincia alem  o tema do artigo de Wolfgang Renzsch German federalism in historical perspective: federalism as a substitute for a national state (Publius Journal of Federalism, Oxford, 1989).
     O ICMS no tem salvao. Complexo, burro e mutante, ele atrasa o pas. O IVA nacional  a sada.
MALSON DA NBREGA  economista


6. LEITOR
TESTAMENTO VITAL
Extraordinria a reportagem O direito de escolher (12 de setembro). Sou testemunha da morte de minha me, de meu pai e de um irmo em decorrncia de cncer, e sei quanto  dolorido conviver dias e noites interminveis com entes queridos bem assistidos, porm conscientes da real dimenso de seu estado.
MARIA DILZA MOREIRA CAMARGO 
Braslia, DF

Sou mdico geriatra e considero essa deciso do CFM um dos maiores avanos da medicina. Ns, mdicos, estamos refletindo que no vale a pena somente estar vivo, e sim viver bem.
MARCELO DE FREITAS MENDONA 
Ribeiro Preto, SP

Parabns pela reportagem O direito de escolher. A terminalidade no contexto das doenas incurveis  geralmente carregada de rduo sofrimento para os pacientes, os familiares e a equipe mdica. A legitimao do Conselho Federal de Medicina ao reconhecer o testamento vital  um passo para o respeito da autonomia e da dignidade do indivduo em escolher a sua prpria forma e a qualidade do morrer.
GUSTAVO NADER MARTA
Mdico rdio-oncologista do Hospital Srio-Libans
So Paulo, SP

A misso do mdico  seguir um dogma: o paciente deve vir sempre em primeiro lugar. Com essa premissa, o paciente deve fazer suas opes. Mas, como acertadamente disse  reportagem de VEJA o professor e cardiologista Roberto Kalil, com sua vasta experincia,  possvel modific-las ao longo do curso da doena por avanos tecnolgicos ou crenas de foro ntimo. Fazer escolhas sobre at onde ir ou no ir  um direito que deve ser exercido num momento em que o paciente est se sentindo apto para tomar as melhores decises. A famlia  muito importante, mas no  capaz de, sozinha, decidir o futuro de quem como ela sofre no s emocionalmente, mas tambm fisicamente. O sofrimento fsico sem perspectiva de algo para definitivamente melhor-lo no deve ser motivo de orgulho ou prova de fora: e deve ser nossa obrigao abat-lo com o mesmo vigor e energia que usamos para curar um paciente recm-diagnosticado. Lembre-se que em vida gostaramos de priorizar em nossas lembranas os momentos felizes e mitigar os momentos de dor e agonia. Parabenizo VEJA pela coragem de publicar uma reportagem to profunda e sensvel para pacientes, famlias e profissionais de sade.
FERNANDO MALUF
Oncologista e chefe do Servio de Oncologia Clnica do Hospital So Jose  Beneficncia Portuguesa
So Paulo, SP

Como fisioterapeuta que h seis anos trabalha sessenta horas semanais dentro de unidades de terapia intensiva, no vejo essa nova resoluo do CFM como algo to inovador ou libertador. Apesar do testamento vital, os mdicos continuaro receosos de ser processados pelas famlias dos pacientes, caso se recusem a atender aos pedidos dos pacientes. Isso  uma constante dentro das UTIs: mdicos praticamente coagidos, seja pela famlia, seja pelos demais profissionais de sade, a tomar medidas extraordinrias para evitar possveis complicaes legais.  a teoria do sobreviva ao meu planto. Enquanto isso, pacientes incurveis so impossibilitados de completar seu ltimo ciclo de vida  e ficam por meses presos a ventiladores mecnicos, sondas de alimentao, adquirindo uma infeco aps a outra, sendo tomados por lceras de decbito, mantidos em isolamento de contato e inconscientes, talvez at por defesa do prprio organismo, incapaz de lidar com tanto sofrimento.
ROBERTA DUARTE SALES
Joo Pessoa, PB

Todos deveriam ter o direito de escolha de uma morte digna. Um testamento vital  a prova de que o enfermo ama a si prprio e aos que esto seu redor. No conhecemos exatamente a dor e o sofrimento de um enfermo.
RENATA BORGES ANTONIAZZI
Tup, SP

Devorei a reportagem O direito de escolher, feita no tom certo e com excelncia. Tenho 58 anos, sou psicloga e recentemente conversei com meus trs filhos sobre a nica verdade absoluta em nossa vida: a morte. J tendo manifestado exatamente tudo como a reportagem aborda e agora, felizmente, com a deciso do CFM, fico mais segura de que realmente poderei ser atendida em minha ltima experincia de vida. Chega de falsas verdades, de pensamentos mgicos. Um pas evoludo tende a ter um povo mais consciente e realista.
MARIA DO CARMO SALVADORI
Santos, SP

Em janeiro deste ano perdi um irmo. Ao v-lo no hospital, onde permaneceu por um ms na UTI, pude verificar a dolorosa realidade do prolongamento da vida quando a possibilidade de reverso da doena  quase nula. Estou com 78 anos, lcida e com sade. Sou independente e moro sozinha. No teste de VEJA para verificar o preparo para redigir o testamento vital, somei 47 pontos. Sim, no quero prolongamento artificial de vida. Sim,  preciso aprender a morrer, como diz Montaigne. Mas, parodiando Woody Allen, o meu testamento vital poder ser alterado se, na hora do indesejvel mas inevitvel encontro, eu no estiver presente ou chegar atrasada...
JACYRA VARGAS SUPERTI
Chapada, RS

H 22 anos, meu pai, paciente terminal de cncer generalizado, faleceu em casa, no seu quarto, junto de ns, familiares, a partir do que ouvimos de um mdico amigo: A medicina nada mais pode fazer por seu pai; se o internarmos, ele ter mais uma semana, um ms, talvez, de vida. Vocs no preferem que ele fique perto de vocs com todo o conforto e carinho?. Assim, decidimos acatar a sugesto, e nunca nos arrependemos. No ano passado, meu marido foi diagnosticado com cncer de pncreas e, apesar de fazer uma cirurgia e um ciclo completo de quimioterapia, a doena avanou. O prognstico era de seis meses a um ano de vida. Mais uma vez, acatamos a sugesto de uma amiga da famlia, nutricionista: Quando ele estiver em fase terminal, no o interne, deixe-o partir em casa, junto da famlia. Assim fizemos. Ele chamou os pais, irmos, filhas e neto, e, s depois de estarmos todos em casa, ele se foi. Pela segunda vez, pude constatar que foi a melhor escolha que fizemos.
IZA DE BRAGANA MARTINS
Rio de Janeiro, RJ

H poucos dias, eu, aos 66 anos de idade, como mdico aposentado, vivi um drama quando assistia, em domiclio, minha me, de 87 anos, portadora de um quadro clnico irreversvel. Ela exps a vontade de abandonar, como de fato abandonou, os sete medicamentos que vinha tomando, alegando que seu viver no tinha mais sentido diante de tanto sofrimento. Disse-me que, a partir daquele momento, estava tudo entre ela e Deus, e que deveriam respeitar sua deciso. Fiel ao juramento que fiz ao trmino do curso de medicina, decidi contrariamente  sua vontade, levando-a ao CTI de um hospital. Ela ficou monitorizada por dois dias. Tranquilizou-me perceber que, durante o perodo de assistncia intensiva, a atroz agonia que a consumia tinha, enfim, sido aliviada, apesar da ausncia dos entes queridos junto ao seu leito.
LEVI BRONZEADO DOS SANTOS 
Guarabira, PB

Na comovente reportagem de VEJA, eu me vi em cada linha to excelentemente escrita. Minha me tem 71 anos, vitimada pela doena de Alzheimer e, sequelada por um AVC isqumico,  incapaz de falar, locomover-se e alimentar-se. Amo cuidar dela, tarefa que divido com minha tia, que tem 76 anos. Dou banho, troco oito fraldas por dia, corto o cabelo, cuido da casa, dos remdios, dos mdicos  de tudo, e ainda trabalho. Mas, mesmo com todo o carinho e os cuidados que ela recebe, seu sofrimento  imenso. Enfermeira, ela gostava de dirigir e de viajar, tinha uma vida ativa. Praticava exerccios, cuidava da casa fazendo pequenos reparos. No quero que mais ningum da minha famlia tenha de lidar com isso, e assim, desde o incio do ano, eu j tinha preparado meu testamento vital. Agora, com o aval do CFM, fico muito mais tranquilo por saber que ningum me ver sofrendo em uma cama, em casa ou em uma UTI fria e mrbida qualquer, cercado por pessoas que olham para voc como mais um que est ali, cheio de tubos... e que logo ser um nmero em uma estatstica.
ADELBAR LIMA DA SILVA
Recife, PE

JULGAMENTO DO MENSALO
Ainda  cedo para euforia. Por enquanto, os ministros do Supremo Tribunal Federal esto condenando executores do mensalo (O banco do mensalo, 12 de setembro). Vamos ver quando chegar a vez de serem julgados os mentores do esquema.
CELSO BENINI
Braslia, DF

ELIANA CALMON
Fiquei emocionado ao ler a entrevista A Justia depois do mensalo (12 de setembro), com a ministra Eliana Calmon. A Justia brasileira precisava de mais juzes que comungassem do pensamento dela.
ALIPIO FERREIRA DA SILVA
Aruj, SP

H pessoas no mundo que nasceram para fazer a diferena. Uma delas  Eliana Calmon.
JOS ARLINDO NUNES 
Belo Horizonte, MG

Eliana Calmon, corajosa, inteligente, dinmica, proativa e implacvel no cumprimento da lei, honrou a indicao e a atuao no Superior Tribunal de Justia (STJ) e no Conselho Nacional de Justia (CNJ).
ANA MARIA VALENTE SANCHES 
Palmas, TO

A ministra Eliana Calmon teve muita coragem ao tirar a mscara do Poder Judicirio.
DAVID LUIS LEAL PISETTA
Boa Vista, RR

Com algumas dezenas de pessoas da envergadura de Eliana Calmon, distribudas em pontos estratgicos da administrao pblica, mudaramos radicalmente o Brasil.
EDIMLSON VAZ RIBEIRO
Catalo, GO

RATOS E HOMENS
J.R. Guzzo deu-me voz em seu artigo Ratos e homens (12 de setembro). Muito do que eu gostaria de dizer sobre o julgamento do mensalo est ali. Mas e para o senhor Lula, nenhuma punio?
MARIA LUCIA FERNANDES
Porto Alegre, RS

O ministro Joaquim Barbosa  o mineiro astuto que driblou heroicamente o deboche do ex-presidente Lula e sua tropa.
IGNEZ DE ASSIS
Belo Horizonte, MG

RUI FALCO
O presidente do PT, Rui Falco, est na contramo dos fatos (Veja Essa, 12 de setembro). Ele deveria  estar preocupado em devolver aos cofres pblicos o que foi surrupiado por seu partido.
NEWTON PAULO ANGELI
Foz do Iguau, PR

GUSTAVO IOSCHPE
No artigo Por que somos to pouco ambiciosos? (12 de setembro), Ioschpe falou o que eu mesmo gostaria de expressar. Fao parte do Brasil aguerrido e ambicioso, porm a carga est cada vez mais pesada.  muita gente que vive sem fazer nada, e algum tem de pagar a conta. Quem trabalha e produz  tratado como bandido. Empresrios, comerciantes, agricultores  enfim, aqueles que produzem a riqueza do pas  so considerados exploradores e ainda tm todo o peso dos impostos, uma burocracia infernal e leis que lhes dificultam a vida. H momentos em que penso em jogar a carga fora e virar um acomodado. Est na hora de dar valor a quem trabalha e se esfora. D-se muito ibope a quem no o merece. O peso, se dividido por todos, seria muito mais fcil de carregar.
ARMANDO SOUSA PEREIRA
So Paulo, SP

Ioschpe, cultura e educao de Primeiro Mundo em nosso pas so sonhos que nem os nossos bisnetos vo ver. Um povo culto sabe escolher de forma correta os seus governantes. Mas isso incomoda e no interessa  maioria dos polticos brasileiros.
LUIS VERDELLI
Por e-mail

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


7. BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

RADAR
LAURO JARDIM
MARTA
Nestes quase dois anos de Senado, Marta Suplicy apresentou doze projetos de lei, trs propostas de emenda  Constituio e dezesseis requerimentos. Projetos para a rea da cultura? Nenhum. www.veja.com/radar

COLUNA 
RICARDO SETTI
SEPARATISTAS
A questo nacional da Catalunha  uma ferida que, de tempos em tempos, volta a latejar. Para que a Catalunha seja um novo estado da Europa,  preciso combinar com muita gente... A comear por aliados da Espanha na Unio Europeia. www.veja.com/ricardosetli 

ESPELHO MEU 
LUCIA MANDEL
ACNE
Alguns anticoncepcionais podem melhorar o quadro de espinhas em mulheres, especialmente naquelas com sndrome de ovrios policsticos. www.veja.com/espelhomeu 

QUANTO DRAMA! 
PATRICIA VILLALBA
NOVELA
No entra na minha cabea a ideia de sair em turn pelo Brasil como Penha, mas sim, de repente, fazer um filme ou uma srie das empreguetes, diz Tas Arajo sobre o sucesso das empreguetes na novela Cheias de Charme. www.veja.com/quantodrama 

NOVA TEMPORADA
BATES MOTEL: O COMEO DE TUDO
A srie Bates Motel, do canal americano A&E, pretende contar o que aconteceu antes da histria vista no filme Psicose, clssico de Alfred Hitchcock. Os dez episdios vo mostrar a relao entre Norman Bates e sua me e o que levou o personagem a se tornar um assassino. O elenco ainda no foi definido, apenas Vera Farmiga est confirmada. Ela interpretar a me de Bates, Norma Louise. Bates Motel deve estrear em 2013, nos Estados Unidos. 
www.veja.com/temporada

SOBRE IMAGENS
A AMPLIDO CULTURAL DE MRCIO VASCONCELOS
Em seu trabalho, o fotgrafo maranhense Mrcio Vasconcelos extrapola os limites da fotografia documental. Ele cria imagens com forte influncia da antropologia e com grande apuro esttico. O blog mostra fotos de quatro ensaios produzidos por Vasconcelos: Na Trilha do Cangao, Terec, Moqueado e Zeladores de Voduns.
www.veja.com/sobreimagens

VEJA MEUS LIVROS
OBRA PSTUMA DE NELSON RODRIGUES
Nelson Rodrigues comeou a escrever um livro em abril de 1937, mas o abandonou pouco depois, deixando apenas um captulo pronto. Agora, com as celebraes do centenrio de nascimento do autor, a editora Nova Fronteira, que detm os direitos de publicao de sua obra, convidou escritores como Andr SantAnna e Carlito Azevedo a completar o enredo. O livro ser lanado no fim do ano.
www.veja.com/meuslivros

 Esta pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


8. EINTEIN SADE  PACIENTE ANTES MESMO DO NASCIMENTO
Com procedimentos intrauterinos, a medicina fetal ajuda a corrigir ms-formaes e a garantir a sobrevivncia do feto.

     At cerca de 50 anos atrs, o que se passava com o feto no interior do tero materno era um completo mistrio. Nos anos 70, a ultrassonografia comeou a mudar isso, mostrando o sexo do beb e eventuais ms-formaes fsicas do feto, presentes em 2% das gestaes e muitas vezes responsveis por intercorrncias como parto prematuro, morte do feto ou do recm-nascido. Outro avano veio em 1983 com a cordocentese, exame para avaliar anomalias genticas feito a partir da coleta de sangue do feto por meio da puno do cordo umbilical.
     Tudo isso tem impulsionado o desenvolvimento da medicina fetal com o objetivo de dar ao feto condies de sobrevivncia at o parto e, se for o caso, de suportar procedimentos cirrgicos logo aps o nascimento.
     Graas  melhoria progressiva da qualidade da ultrassonografia e de equipamentos como o fetoscpio (que permite observar e intervir no feto ainda dentro do tero materno)  possvel realizar uma srie de procedimentos teraputicos clnicos e cirrgicos intrauterinos. Arritmias cardacas detectadas no feto, ou infeces transmitidas pela me, como a toxoplasmose, podem hoje ser tratadas clinicamente com elevada probabilidade de sucesso.
     J as cirurgias fetais intrauterinas (muitas minimamente invasivas) permitem corrigir ou diminuir o impacto de algumas ms-formaes congnitas, como dilataes renais e dos ventrculos cerebrais, cistos pulmonares, hrnias de diafragma e deformaes no fechamento da coluna vertebral do embrio que podem ocasionar problemas como paraplegia, disfunes intestinais e urinrias, dentre outros.
     Outro procedimento com alto ndice de sucesso  realizado na chamada sndrome da transfuso feto-fetal. Essa anomalia, que ocorre em 5% das gestaes de gmeos que compartilham a mesma placenta, faz com que vasos e artrias tenham comunicao entre os dois fetos, transformando um deles em doador de sangue e o outro, em receptor. Sem tratamento, isso leva  morte dos dois fetos em 90% dos casos. O procedimento consiste na coagulao dos vasos comunicantes com o uso de Laser, com ndice de 70% de sobrevida dos dois bebs e o mnimo de sequelas.
     O potencial de avano da medicina fetal  imenso, especialmente no campo dos procedimentos para correo de anomalias cardacas. Com isso, cada vez mais histrias que poderiam no ter final feliz so reescritas com altos ndices de sobrevivncia e baixa ocorrncia de sequelas.

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